O transplante é a principal e muitas vezes única esperança para pacientes diagnosticados com doenças graves que comprometem a estrutura e a transparência ocular, a exemplo do ceratocone avançado, da distrofia de Fuchs, infecções e traumas. Segundo o oftalmologista Luiz Brito, chefe do Setor de Córnea do hospital H.Olhos, as inovações tecnológicas tornaram a cirurgia consideravelmente mais precisa e menos invasiva. “A evolução das técnicas permitiu que o transplante deixasse de ser uma substituição completa. Hoje conseguimos trocar apenas a camada que está comprometida. Em algumas técnicas, o novo tecido é colocado e fixado sem a necessidade de pontos, acelerando a recuperação visual”, explica o médico.
Critérios de doação e limites da tecnologia Um mito que afasta potenciais doadores é a falsa crença de que problemas prévios de visão inviabilizam o uso do tecido. A classe médica esclarece que o uso crônico de óculos, lentes de contato, bem como diagnósticos de miopia, hipermetropia ou astigmatismo, não configuram impedimento para a doação de córneas. A captação pode ocorrer tanto após morte encefálica quanto por parada cardíaca, desde que seja realizada em uma janela de 6 a 12 horas após o óbito e conte com a devida autorização da família do paciente.
Embora o setor pesquise constantemente alternativas sintéticas e terapias celulares, os oftalmologistas alertam que a tecnologia atual ainda não consegue suprir a demanda. O uso de córneas artificiais, como a ceratoprótese de Boston, apresenta riscos elevados e é indicado exclusivamente para situações extremas em que o paciente já sofreu rejeições de transplantes anteriores. Diante deste cenário, o diálogo familiar prévio continua sendo a única ferramenta efetiva para garantir a doação de tecidos e a reabilitação de milhares de brasileiros.
Fonte: Pinga Fogo




