Inmet emite alerta vermelho de calor extremo para oito…

Altas temperaturas na capital do país começarão a subir a partir de segunda-feira e têm tudo para atingir o ápice na virada de setembro para outubro – (crédito: Minervino Júnior/CB/D.A Press)

O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) emitiu um aviso meteorológico com classificação de alerta vermelho indicativo de grande perigo para a primeira onda de calor registrada na primavera de 2026. O fenômeno, que começou a se formar no início da semana, ganha força nos próximos dias e deve atingir seu ápice até 30 de setembro. Oito estados estão na faixa de maior severidade do aviso: Paraná, Santa Catarina, São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.

De acordo com o órgão meteorológico, a condição atende ao critério de onda de calor climatológica por registrar temperaturas máximas superiores à média histórica em 5°C ou mais durante um período de pelo menos cinco dias consecutivos. As projeções apontam picos de 41°C em Cuiabá (MT), 40°C em Campo Grande (MS) e marcas que podem chegar a 35°C em Brasília (DF) e 32°C em São Paulo (SP).

Dinâmica atmosférica e “domo de calor” A severidade do calor resulta da combinação de sistemas atmosféricos de grande escala intensificados pelo fortalecimento do El Niño no Oceano Pacífico, conforme apontam relatórios da NOAA e da Organização Meteorológica Mundial (OMM). Segundo especialistas, uma área de baixa pressão localizada entre o norte da Argentina e o Paraguai canaliza ar quente tropical diretamente para a região Sul e Centro-Oeste do Brasil.

Simultaneamente, na alta troposfera (entre 5 km e 12 km de altitude), uma circulação anticiclônica anômala estabelece um “domo de calor” (área de alta pressão persistente). Essa massa de ar comprimida descende em direção à superfície, bloqueia a formação de nebulosidade, inibe a renovação do ar e aprisiona o calor em níveis baixos, gerando o aquecimento acelerado do solo e da atmosfera.

Vulnerabilidade e riscos à saúde pública Os impactos do calor excessivo mobilizam a comunidade científica global. Uma pesquisa da Universidade de Chicago, publicada pelo consórcio Climate Impact Lab, calcula que as anomalias térmicas provocadas pelo atual ciclo do El Niño podem causar mais de 450 mil mortes no mundo entre junho de 2026 e fevereiro de 2027, com aumento de 44% na incidência de dias de calor extremo.

No Brasil, estudos históricos da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) em parceria com a UFBA revelam que aproximadamente 120 mil mortes estiveram ligadas a ondas de calor nas últimas duas décadas, sendo 97 mil registradas em indivíduos com 65 anos ou mais. Especialistas do Inmet e da Climatempo advertem que o estresse térmico prolongado agrava doenças cardiovasculares e respiratórias, demandando atenção especial a idosos, crianças, trabalhadores ao ar livre e à manutenção de noites excessivamente quentes, período em que o organismo encontra dificuldade para recuperar o equilíbrio térmico.

Fonte: Pinga Fogo