Anvisa investiga 13 casos de perda de visão ligados a canetas - Maringá Post

Tempo de leitura: 2 min

A Anvisa investiga 13 notificações de suspeita de neuropatia óptica isquêmica anterior não arterítica, conhecida pela sigla NOIA, em pessoas que utilizavam medicamentos popularmente chamados de canetas emagrecedoras.

A condição pode provocar perda súbita e permanente da visão.

Os casos envolvem cinco notificações relacionadas ao Ozempic, três ao Wegovy, duas ao Wegovy FlexTouch, duas ao Rybelsus e uma ao Mounjaro. Dos 13 registros, 12 envolvem medicamentos com semaglutida e um está relacionado à tirzepatida.

É importante fazer uma distinção.

As notificações não significam que a Anvisa tenha concluído que os medicamentos provocaram a cegueira.

São casos suspeitos que estão sendo investigados pela farmacovigilância. A presença de um medicamento no histórico de um paciente não é suficiente, sozinha, para estabelecer uma relação de causa e efeito.

A preocupação, entretanto, não é nova.

Em junho de 2025, a própria Anvisa já havia alertado que a NOIA é um evento adverso muito raro associado à semaglutida e determinado a inclusão dessa informação nas bulas de Ozempic, Rybelsus e Wegovy.

A doença ocorre quando o fornecimento de sangue ao nervo óptico é comprometido. O resultado pode ser uma perda repentina da visão, que em alguns casos pode ser irreversível.

Por isso, o principal alerta aos usuários não é interromper o tratamento por conta própria.

É procurar atendimento médico imediatamente diante de perda repentina da visão, visão turva ou piora rápida da capacidade de enxergar. A Anvisa orienta que, se a NOIA for confirmada, o tratamento com semaglutida seja interrompido sob orientação médica.

Outro ponto merece atenção.

A maioria das notificações analisadas envolve semaglutida, princípio ativo presente em Ozempic, Wegovy e Rybelsus. O Mounjaro utiliza tirzepatida, outro medicamento da classe dos agonistas dos receptores de GLP-1.

A Novo Nordisk, fabricante dos medicamentos à base de semaglutida citados, afirma que acompanha os relatos e que a segurança dos pacientes é prioridade. A empresa também afirma que o conjunto das evidências disponíveis ainda não confirma uma relação causal entre a semaglutida e a NOIA.

A Anvisa, portanto, está diante de uma questão de farmacovigilância: identificar se os casos representam uma coincidência temporal, um risco associado aos medicamentos ou alguma outra condição que possa explicar os episódios.

Isso exige investigação médica e estatística.

Para milhões de brasileiros que utilizam esses medicamentos, a informação mais importante neste momento é que o risco identificado é considerado muito raro, mas o evento pode ser grave.

Também não se trata de uma recomendação para que pacientes abandonem medicamentos prescritos.

A orientação é outra: usar os produtos conforme a indicação médica e procurar atendimento rapidamente diante de alterações repentinas na visão.

Os 13 casos agora investigados deverão ajudar a Anvisa a avaliar se são necessários novos alertas, mudanças nas informações das bulas ou outras medidas de segurança.

Enquanto essa análise não termina, a conclusão é objetiva: há notificações de suspeita de perda de visão em usuários desses medicamentos, existe um evento adverso ocular reconhecido como muito raro no caso da semaglutida, mas a Anvisa ainda não estabeleceu que os 13 casos tenham sido causados pelas chamadas canetas emagrecedoras.

Fonte: Maringá Post