O volume financeiro de produtos importados por pessoas físicas em plataformas internacionais registrou uma forte aceleração no terceiro trimestre. Entre junho e agosto, as compras de pequeno valor somaram R$ 8,2 bilhões, o que representa um crescimento de 67% em relação aos R$ 4,9 bilhões registrados no mesmo intervalo de 2025. Os dados foram compilados pela Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit), com base nos registros aduaneiros da Receita Federal do Brasil.

O aquecimento coincide com a flexibilização tributária das transações transfronteiriças. A cobrança do imposto federal de importação com alíquota de 20% para remessas de até US$ 50 – apelidada de “taxa das blusinhas” – foi descontinuada, e a isenção federal acabou referendada pelo Congresso Nacional em votação no mês de setembro. Atualmente, permanece apenas a cobrança do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), recolhido pelos estados com alíquotas que variam entre 17% e 20%. No mês de agosto, o volume total de mercadorias despachadas alcançou 26,5 milhões de unidades pelo Programa Remessa Conforme, superando em 74% os 15,2 milhões do mesmo mês do ano anterior.

Reflexos na indústria e no mercado de trabalho O avanço das plataformas estrangeiras reabriu discussões sobre a competitividade da cadeia produtiva instalada no Brasil. Conforme a Abit, a confecção e a tecelagem figuram entre os segmentos mais vulneráveis à entrada direta de artigos de baixo custo. Números do setor indicam uma contração de 6,8% na atividade têxtil e de 8,2% na confecção durante o mês de julho, além da eliminação líquida de mais de 13 mil postos formais de trabalho até a metade do ano.

Embora defenda ajustes no tratamento tributário para mitigar as assimetrias concorrenciais com as varejistas asiáticas, a entidade admite que o cenário desafiador do setor não decorre unicamente das compras digitais. A combinação entre juros básicos elevados no país, aumento nas despesas com fretes e o ritmo lento de recuperação das vendas no varejo físico nacional tem gerado pressões adicionais sobre o faturamento das fábricas.

Fonte: Pinga Fogo