
De acordo com o órgão meteorológico, a condição atende ao critério de onda de calor climatológica por registrar temperaturas máximas superiores à média histórica em 5°C ou mais durante um período de pelo menos cinco dias consecutivos. As projeções apontam picos de 41°C em Cuiabá (MT), 40°C em Campo Grande (MS) e marcas que podem chegar a 35°C em Brasília (DF) e 32°C em São Paulo (SP).
Dinâmica atmosférica e “domo de calor” A severidade do calor resulta da combinação de sistemas atmosféricos de grande escala intensificados pelo fortalecimento do El Niño no Oceano Pacífico, conforme apontam relatórios da NOAA e da Organização Meteorológica Mundial (OMM). Segundo especialistas, uma área de baixa pressão localizada entre o norte da Argentina e o Paraguai canaliza ar quente tropical diretamente para a região Sul e Centro-Oeste do Brasil.
Simultaneamente, na alta troposfera (entre 5 km e 12 km de altitude), uma circulação anticiclônica anômala estabelece um “domo de calor” (área de alta pressão persistente). Essa massa de ar comprimida descende em direção à superfície, bloqueia a formação de nebulosidade, inibe a renovação do ar e aprisiona o calor em níveis baixos, gerando o aquecimento acelerado do solo e da atmosfera.
Vulnerabilidade e riscos à saúde pública Os impactos do calor excessivo mobilizam a comunidade científica global. Uma pesquisa da Universidade de Chicago, publicada pelo consórcio Climate Impact Lab, calcula que as anomalias térmicas provocadas pelo atual ciclo do El Niño podem causar mais de 450 mil mortes no mundo entre junho de 2026 e fevereiro de 2027, com aumento de 44% na incidência de dias de calor extremo.
No Brasil, estudos históricos da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) em parceria com a UFBA revelam que aproximadamente 120 mil mortes estiveram ligadas a ondas de calor nas últimas duas décadas, sendo 97 mil registradas em indivíduos com 65 anos ou mais. Especialistas do Inmet e da Climatempo advertem que o estresse térmico prolongado agrava doenças cardiovasculares e respiratórias, demandando atenção especial a idosos, crianças, trabalhadores ao ar livre e à manutenção de noites excessivamente quentes, período em que o organismo encontra dificuldade para recuperar o equilíbrio térmico.
Fonte: Pinga Fogo



