Investimento em Terras Indígenas é Essencial para Restauração Ambiental

Especialistas defendem protagonismo indígena na restauração de terras

No Dia da Amazônia, celebrado em 5 de agosto, especialistas enfatizam a necessidade urgente de investimentos na recuperação de terras degradadas em território indígena. Essa restauração vai além do simples plantio de árvores, abrangendo também a proteção de nascentes e a revitalização de espécies essenciais para as comunidades locais.

A Importância da Restauração em Terras Indígenas

A recuperação de áreas degradadas é uma oportunidade não apenas para recuperar a vegetação, mas também para aumentar a segurança alimentar e gerar renda para as comunidades indígenas. Segundo a líder do povo Kaingang, Diana Nascimento, a contribuição indígena redefine o que significa restaurar. “Quando os povos indígenas lideram o processo, o território é visto como um espaço vital que integra cultura, alimentação e saberes tradicionais”, afirma.

Desafios e Oportunidades na Restauração

Recentemente, o Brasil comprometeu-se a restaurar mais de 163 mil quilômetros quadrados de áreas degradadas até 2030, conforme apresentação na 17ª Conferência das Nações Unidas sobre Combate à Desertificação. Dados do TerraClass de 2022 revelam que as terras indígenas na Amazônia abarcam cerca de 952,3 mil hectares degradados, além de 840,5 mil hectares de vegetação secundária, totalizando um potencial de restauração de 1,79 milhão de hectares.

Embora as terras indígenas enfrentem pressões, elas permanecem entre as áreas mais preservadas do Brasil. Entre 2019 e 2025, apenas 1,7% da perda de vegetação nativa ocorreu em territórios indígenas, segundo o Relatório Anual do Desmatamento do MapBiomas.

O Papel dos Conhecimentos Tradicionais

A participação ativa das comunidades indígenas é crucial para o sucesso das iniciativas de restauração. Diana Nascimento ressalta que o foco deve estar na recuperação de espécies e alimentos significativos para cada povo, além de identificar áreas prioritárias para a restauração. “A restauração envolve não apenas a recuperação de hectares, mas também a valorização de práticas culturais”, explica.

A Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) desenvolveu um sistema integrado de informações que auxilia na tomada de decisões sobre conservação e restauração. Essa ferramenta considera diversos fatores, como degradação ambiental e segurança hídrica, permitindo uma abordagem customizada para cada território.

Integração entre Conhecimento Tradicional e Técnico

Diana também destaca a relevância do conhecimento tradicional sobre sementes e ciclos naturais, especialmente o papel das mulheres indígenas na produção de alimentos e conservação de sementes. “A valorização desses saberes pode fortalecer a segurança alimentar e a biodiversidade”, afirma.

A combinação de conhecimentos tradicionais com abordagens técnicas é vista como uma forma de encontrar soluções mais adequadas às especificidades de cada região, contribuindo para a recuperação de práticas culturais e alimentos tradicionais.

Restauração e Prevenção de Impactos

As ações de restauração devem ser acompanhadas de medidas preventivas contra novos impactos, como a mineração e a expansão de pastagens. O sistema da Funai considera a vulnerabilidade das comunidades e a disponibilidade de água, alinhando-se à Política Nacional de Gestão Territorial e Ambiental de Terras Indígenas (PNGATI) e ao Plano Nacional de Recuperação da Vegetação Nativa (Planaveg).

Para Diana, fortalecer as comunidades é fundamental. “Territórios com governança robusta e comunidades resilientes são mais capazes de preservar seus recursos e enfrentar as pressões externas”, conclui.

Com a integração de esforços entre governo e comunidades indígenas, é possível promover um futuro sustentável para as terras da Amazônia, garantindo a preservação ambiental e o fortalecimento cultural.

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