Golpe do sósia: tecnologia facial em fraudes de identidade cresce no Brasil

Golpe do sósia usa tecnologia para tentar burlar biometria

Um novo esquema de fraude de identidade, conhecido como “golpe do sósia”, tem utilizado tecnologia de reconhecimento facial para enganar sistemas de validação. Identificado pela Serasa Experian, esse método inova na abordagem criminosa, permitindo que os golpistas se façam passar por outras pessoas com características físicas semelhantes.

Como os golpistas operam

Os criminosos empregam ferramentas de comparação facial para buscar indivíduos com traços semelhantes aos seus. Essa técnica permite ao fraudador selecionar uma identidade que acredita ser mais fácil de validar em processos como cadastros e abertura de contas. O processo é sistemático: o golpista começa analisando seu próprio rosto, em seguida, busca por possíveis “sósias” e utiliza suas informações pessoais para realizar fraudes.

Uma mudança nas táticas de fraude

Diferente das abordagens tradicionais, onde os criminosos partem de dados de uma vítima específica, o golpe do sósia altera essa lógica ao priorizar a busca por semelhanças físicas. Essa estratégia exige uma combinação de habilidades tecnológicas e conhecimento sobre os sistemas de segurança, tornando a detecção mais difícil.

Desafios na autenticação biométrica

Leandro Bartolassi, diretor de Autenticação e Prevenção à Fraude da Serasa Experian, destaca que essa nova tática ilustra como tecnologias de segurança podem ser exploradas por criminosos. A empresa recomenda que o reconhecimento facial não seja a única camada de autenticação em sistemas de segurança. A utilização conjunta de diferentes métodos pode aumentar a eficácia na identificação de fraudes.

Medidas de segurança recomendadas

A Serasa Experian sugere várias práticas para proteger os consumidores e minimizar riscos. Entre as principais orientações estão:

  • Evitar o compartilhamento de fotos de documentos em redes sociais;
  • Fornecer dados pessoais apenas em sites e aplicativos confiáveis;
  • Proteger dispositivos móveis com senhas fortes e autenticação em duas etapas;
  • Desconfiar de solicitações inesperadas de reconhecimento facial;
  • Não permitir que estranhos fotografem seus documentos ou rosto;
  • Manter sistemas atualizados e monitorar o CPF regularmente.

Empresas devem reforçar a segurança

Para as empresas, a adoção de uma estratégia de segurança robusta é essencial. A Serasa Experian recomenda a combinação de múltiplas camadas de proteção, evitando que informações isoladas sejam suficientes para concluir um cadastro. Isso inclui a junção de biometria facial, validação de documentos e análise de dados cadastrais.

O impacto das fraudes

Os dados do Mapa da Fraude revelam que, apenas no primeiro semestre de 2026, as soluções antifraude da Serasa Experian impediram 2,86 milhões de tentativas de fraudes de identidade, um aumento de 32,9% em relação ao ano anterior. Estima-se que essas ações evitaram um prejuízo de R$ 3,77 bilhões durante esse período, evidenciando a gravidade do problema.

Em um cenário onde as fraudes digitais se tornam cada vez mais sofisticadas, a importância de uma abordagem proativa e integrada na segurança é mais crucial do que nunca. A combinação de tecnologias e a conscientização dos usuários desempenham papéis fundamentais na luta contra esses crimes.

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